Jornada para crime: análise das distâncias percorridas por criminosos para o cometimento de crimes
DOI:
https://doi.org/10.29377/rebesp.v13i1.420Resumo
Crimes e infratores seguem padrões espaço-temporais de suas distribuições e áreas de ação. Há estudos que apontam que criminosos tendem a cometer crimes com maior frequência em locais próximos à sua própria casa num padrão de decaimento da distância. Entretanto, o entendimento do comportamento criminal necessita da análise de casos individuais, a fim de não se incorrer na inferência a partir de dados agregados, o que é chamado comumente de falácia ecológica. Assim, o objetivo desse trabalho é analisar em nível individual, a partir de uma perspectiva longitudinal, eventos perpetrados por indivíduos contumazes na prática de delitos (criminosos em série), analisando as distâncias em que esses indivíduos cometem seus delitos, tendo como parâmetro o início de sua jornada como sendo o endereço residencial. A metodologia contou com análise de dados contidos em boletins de ocorrência policial. Foram pesquisados 114 criminosos em série, autores de 1259 ocorrências no período de 2011 a 2013 em Belo Horizonte. Os resultados apontaram que não é possível predizer o comportamento espacial criminal do indivíduo com base nos dados analisados em conjunto, pois a jornada para o crime, analisando-se o pacote de eventos criminais, há decaimento da distância no cometimento de crimes, tanto para os criminosos em série, quanto para os não seriais. Não obstante, essa verificação só é válida para o conjunto de dados, o que não se verificou na análise da frequência de eventos em relação à residência do infrator em nível individual.
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